A situação da perda de uma pessoa querida é sempre dolorosa. No entanto, o luto infantil tem algumas particularidades que merecem atenção para que a criança consiga superar esse sofrimento de maneira saudável e sem consequências futuras. Nesse sentido, a família precisa oferecer todo o apoio e a orientação, além de garantir o acolhimento. O ideal é conversar a respeito do que aconteceu e ajudar o pequeno a compreender o falecimento e a lidar com isso de maneira resiliente. É fundamental que haja um diálogo franco e honesto. Contudo, a conversa deve ser adequada a cada idade, com atenção para as informações que a criança é capaz de compreender. No artigo de hoje, vamos trazer algumas dicas de como os adultos podem lidar com o luto infantil e ajudar na superação. Continue a leitura! Entenda como o luto acontece para crianças de diferentes idades Quando se fala sobre a infância, não se pode fazer generalizações porque, além de a personalidade ser um fator importante, a idade também interfere bastante. Dessa forma, o primeiro ponto a se observar na hora de conversar sobre o luto é a idade. Compreenda como isso acontece para cada faixa etária. Até 3 anos Nessa fase, ainda não se compreende a morte em sua totalidade. A conversa pode ser mais lúdica, mas sem criar falsas expectativas de que a pessoa retornará. Entre 3 e 5 anos Ainda não se pode compreender com clareza que a pessoa não voltará, porém, as crianças já relacionam a morte a algo triste e ruim. Elas também percebem bastante as alterações emocionais dos adultos. Entre 5 e 7 anos Os questionamentos são um pouco mais profundos e começa a se desenvolver a noção de “para sempre”. Entre 7 e 10 anos A compreensão já é mais clara, mas pode existir uma dificuldade em identificar e expressar os sentimentos. É fundamental contar com a ajuda dos adultos para isso. Entre 10 e 12 anos Nessa idade, as crianças já têm maior clareza sobre a morte, portanto, a conversa pode ser um pouco mais direta, apesar de ainda existir muito cuidado para não fazer isso de forma traumática. Seja transparente em todos os momentos Independentemente da idade, não é legal mentir sobre a morte ou evitar a conversa. Ao fugirem do assunto ou inventarem uma história sobre a pessoa que faleceu, os adultos podem prejudicar o processo de luto saudável e gerar confusão na cabeça da criança. Se a família, por exemplo, fala que a pessoa viajou, pode criar uma expectativa de retorno que resultará em frustração ou na perda de confiança nos adultos. As metáforas, como “virou estrelinha”, “foi descansar” ou “foi morar no céu”, não devem vir antes da explicação real sobre a morte, pois dificultam a compreensão. Elas podem ser usadas depois, como forma de explicar a concepção da família sobre a morte. Assim, seja claro (de forma delicada e cuidadosa) e fale sempre a verdade, e deixe que a criança decida se quer participar das cerimônias de despedida e prestar alguma homenagem, como levar flores. É fundamental que a família explique o que é um velório e o que será visto no local, afinal, a criança não pode tomar essa decisão sem estar amparada por informações. As crenças familiares podem ajudar, como orações coletivas ou outras formas de lidar com o falecimento. Converse sobre o assunto com naturalidade O mais recomendado é conversar sobre o assunto com naturalidade, sem colocar a situação como um tabu, e esperar pelas perguntas da criança. Falar sobre a causa da morte também é importante, para evitar que ela carregue algum sentimento de culpa, mas não é bom dar muitos detalhes, especialmente em casos violentos. Se a pessoa que faleceu tinha uma relação muito estreita com a criança ou o adulto mais próximo estiver muito abalado para conversar, é preciso se acalmar e organizar melhor os sentimentos antes desse diálogo. Demonstrar tristeza e, até mesmo, chorar na frente do pequeno não é um problema, pois você pode explicar que sentirá saudade e que também está sofrendo pela perda. É importante que os adultos ajudem a criança a se expressar e a dar nome às suas emoções, para que elas as compreendam melhor e entendam que fazem parte desse momento. Reforce as recordações positivas com a pessoa que morreu Pode ser reconfortante para a criança pensar na pessoa que morreu de maneira positiva e reforçar as lembranças dos bons momentos. Escrever uma carta, fazer um desenho, relembrar as histórias e olhar as fotos são alternativas para marcar o carinho e atenuar a dor da perda. Pensar sobre o que aconteceu e compreender que, mesmo com a morte, a saudade e o amor permanecem é bastante saudável, além de oferecer uma oportunidade para que a criança faça a sua despedida. Tentar tirar todas as memórias para evitar a dor só dificulta o processo da superação. Use recursos lúdicos Os recursos lúdicos são excelentes para o desenvolvimento e o aprendizado infantil. Eles podem ser usados também nesses momentos. Existem opções de filmes, como os famosos “Up, Altas Aventuras” e “Rei Leão”, além de livros, como “Para onde vamos quando desaparecemos”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso. A partir da trajetória de personagens, pode ser mais fácil compreender o que acontece quando alguém morre e também os sentimentos que envolvem o luto. Procure ajuda profissional O luto infantil é diferente para cada situação. Muitos fatores interferem, como: a proximidade com a pessoa, a forma como o óbito acontece, as particularidades da criança, entre outros. Com isso, podem surgir respostas distintas, como mudanças de comportamento, irritabilidade, medo de dormir sozinha, entre outras. Em alguns casos, pode ser preciso buscar o auxílio de um psicólogo. Quando a família já está abalada, pode haver dificuldade em lidar com as diferenças do luto infantil e desconhecimento sobre como ajudar a criança a superar isso de maneira saudável. O psicólogo pode oferecer acolhimento de maneira profissional para evitar que o sofrimento prejudique o desenvolvimento da criança. Da mesma maneira, pode ajudar a família a entender qual o seu papel nessa situação e tomar decisões importantes, como levar ou não ao velório.