É comum estarmos acostumados a ter a figura de um pai como a pessoa mais forte dentro de casa. Aquele que precisa estar sempre firme para manter a segurança e o suporte necessário para a sua família. “Homem não pode chorar”, “O homem não pode parecer fraco”, “Homem é forte, aguenta tudo no peito”, são frases muito comuns direcionadas a homens desde o início de duas vidas. Claro, esses pensamentos não passam de mitos estabelecidos pela nossa sociedade. Esses mitos são sustentados pela imagem idealizada da masculinidade. Nesse sentido, imagine como fica a figura de um pai diante da perda de um filho? Continue a leitura caso tenha interesse em saber mais detalhes. Precisam demonstrar força o tempo todo Muitos pais sofrem de forma quase que invisível durante a morte de um filho, por acreditarem que precisam ser fortes para dar suporte, para dar apoio para esposa e sua família. O luto de um pai que perde um filho, na maioria das vezes, não é percebido e nem autorizado em nossa sociedade. O luto não percebido é demonstrado em alguns fatores: 1- O pai não demonstra fraqueza na frente da sua família e amigos; 2- As outras pessoas não falam sobre a tristeza desse pai; 3- Ele aparenta sempre estar “feliz”; 4- Ele não vivencia o luto. Lidar com as próprias emoções nunca foi algo que um homem aprendeu durante a sua vida, muito pelo contrário, normalmente, os meninos são estimulados a negarem essas emoções, sempre demonstrando força e controle emocional total de situações que outras pessoas possam estar abaladas. Isso faz parte da nossa cultura, mas, é extremamente necessário mudar este ponto de vista e começar a pensar de uma maneira diferente, o homem também tem o direito de sofrer o seu luto. Vamos começar tendo um olhar diferente para aquele pai Já sabemos que olhar para o homem como alguém forte é uma questão cultural. Mas poder mudar o nosso olhar é essencial. Dizer que o pai também sofre, assim como a mãe, com a perda do seu filho é uma evolução muito significativa e que pode ajudar muito. É primordial olhar para a figura do pai como um ser inteiro, que também precisa de amparo e compreensão. Principalmente perante a perda de um filho, que torna o ambiente familiar mais pesado e a tristeza instaurada na rotina. O luto paterno deve ser validado para que o homem possa se ver e ser visto como alguém que não precisa ser forte sempre, porque também tem suas fragilidades e precisa ser acolhido e cuidado, ainda mais quando falamos da perda de uma criança. Algo totalmente inesperado, e absurdamente doloroso. Falar sobre o luto pode dividir a dor Cada um vive o luto de forma individual. Mas neste processo, o pai pode sofrer tanto quanto a mãe, justamente por esconder esse sofrimento. E isso pode causar problemas inclusive no casamento, pois um tentará evitar a dor do outro. Sabendo disso, é importante dividir a dor e procurar ajuda profissional. É preciso viver a perda, respeitando o seu ritmo e limites. Também é necessário haver união entre o casal, aceitar a condição do outro e se ajudarem mutuamente. A depressão Um filho não é apenas uma extensão biológica de seus pais, mas também psicológica, por isso, diante da perda de um filho, é comum a sensação de perder um pedaço de nós. Se a tristeza não diminui e o pai não consegue retomar a sua vida normalmente e fica o tempo todo se sentindo culpado e infeliz, o problema se torna um luto patológico. Nesse caso, a depressão pode surgir. A relação entre pai e filho não termina com a morte, ela apenas se modifica. Sobreviver à dor é necessário. O fato de você ocultar a perda, não significa que o pai apagou da memória o seu filho perdido. É exatamente através desta dor que o amor vai se multiplicar. O significado da figura do pai frente à perda de um filho é um assunto essencial de se tratar, especialmente agora, durante o mês da criança. Respeite e compreenda a dor do pai que perde um filho. Se coloque à disposição para ouvi-lo e faça-o entender que a dor dele é tão válida quanto a de qualquer outra pessoa.